Professor: Marcos Vieira. Data: ____/____/2020.
VARIAÇÃO
LINGUÍSTICA I - Unidade
A língua não é usada de modo homogêneo
por todos os seus falantes. O uso de uma língua varia de época para época, de
região para região, de classe social para classe social e assim por diante. Nem
individualmente podemos afirmar que o uso seja uniforme. Dependendo da
situação, uma mesma pessoa pode usar diferentes variedades de uma só forma da
língua.
DIFERENTES FORMAS DE REALIZAÇÃO
Uma língua
oferece a seus usuários diferentes formas de realização, isto é, diferentes
jeitos de falar e de escrever. Não existe uma forma melhor (mais certa) ou pior
(mais errada) de empregar uma língua.
Língua
culta/ variedade padrão: modelo arbitrário e convencional, baseado em critérios
ideológicos ‒ sociais, culturais, políticos e econômicos.
Não existe, portanto, uma
língua única. A língua é na verdade um conjunto de diferentes variedades
linguísticas.
NÍVEIS DE
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
É importante observar que o processo de variação ocorre em todos os níveis de funcionamento
da linguagem, sendo mais perceptível na pronúncia e no vocabulário.
Nível fonológico – pranta, canal(u),
Nível morfossintático – manteu/
manteve ansio/ anseio
Eu lhe vi.
Chegou os cantores ao local do show.
Nível vocabular – miúdo ‒ Portugal. Guri, menino,
garoto
OS NÍVEIS
DA FALA
Padrão formal
Está diretamente ligado à linguagem escrita, restringindo-se
às normas gramaticais de um modo geral. Razão pela qual nunca escrevemos da
mesma maneira que falamos. Este fator foi determinante para a que a mesma pudesse
exercer total soberania sobre as demais.
Nível
informal
Representa o estilo considerado “de menor prestígio”, e isto
tem gerado controvérsias entre os estudos da língua, uma vez que para a
sociedade, aquela pessoa que fala ou escreve de maneira errônea é considerada
“inculta”, tornando-se desta forma um estigma.
Compondo o quadro do padrão informal da linguagem, estão as
chamadas variedades linguísticas, as quais representam as
variações de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e
históricas em que é utilizada. Dentre elas destacam-se:
Variações históricas: Dado o dinamismo que a língua apresenta, a mesma sofre transformações ao
longo do tempo.
Um exemplo
bastante representativo é a questão da ortografia, se levarmos em consideração
a palavra farmácia, uma vez que a mesma era grafada com “ph”, contrapondo-se à
linguagem dos internautas, a qual fundamenta-se pela supressão do vocábulos.
Variações regionais: São os
chamados dialetos, que são as marcas determinantes referentes
a diferentes regiões. Como exemplo, citamos a palavra mandioca que, em certos
lugares, recebe outras nomenclaturas, tais como: macaxeira e aipim.
Figurando também esta modalidade estão os sotaques, ligados às características
orais da linguagem.
Assaltante nordestino
• Ei,
bichim... Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula nem faça
muganga... Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim senão enfio a peixeira
no teu bucho e boto teu fato pra fora! Perdão, meu Padim Ciço, mas é que eu tô
com uma fome da moléstia...
Assaltante mineiro
• Ô
sô, prestenção... Isso é um assarto, uai... Levanta os braços e fica quetim
quesse trem na minha mão tá cheio de bala... Mió passá logo os trocado que eu
num to bão hoje. Vai andando, uai! Tá esperando o quê, uai!!
Assaltante gaúcho
• O,
guri, fica atento... Bah, isso é um assalto... Levanta os braços e te aquietas,
tchê! Não tentes nada e cuidado que esse facão corta uma barbaridade, tchê.
Passa as pilas pra cá! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala.
Assaltante carioca:
• Seguinte,
bicho... Tu te deu mal. Isso é um assalto. Passa a grana e levanta os braços,
rapá... Não fica de bobeira que eu atiro bem pra... Vai andando e, se olhar pra
trás, vira presunto...
Assaltante
baiano
Ô meu rei... (pausa)
Isso é um assalto...(longa pausa)
Levanta os braços, mas não se avexe não... (outra pausa)
Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado...
Vai passando a grana, bem devagarinho(pausa pra pausa)
Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado.
Não esquenta, meu irmãozinho, (pausa)
Vou deixar teus documentos na encruzilhada.
Assaltante paulista
Ôrra, meu ....
Isso é um assalto, mano
Levanta os braços, mano...
Passa a grana logo, mano .
Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pá
comprar o ingresso do jogo do Curintia, mano ...
Pô, se manda, mano... .
As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos grupos, como os surfistas,
cantores de rap, tatuadores, entre outros.
Os
jargões estão relacionados ao profissionalismo, caracterizando um
linguajar técnico. Representando a classe, podemos citar os médicos, advogados,
profissionais da área de informática, dentre outros.
Jargão policial
"a casa caiu"...
"positivo, operante"
"o miliante estava desarmado"
"positivo, operante"
"o miliante estava desarmado"
Assim, além do português padrão,
há outras variedades de usos da língua cujos traços mais comuns podem ser
evidenciados abaixo.
Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais:
pranta/planta; broco/bloco.
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Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho.
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Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: arve/árvore;
figo/fígado.
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Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.
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Simplificação da concordância: as menina/as meninas.
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Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do verbo:
“Chegou” duas moças.
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Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de sujeito):
Nós pegamos “ele” na hora.
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Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando) ou do “mb” em “m”
(tamém/também).
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Desnasalização
das vogais postônicas: home/homem.
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Redução do “e”
ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.
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Redução do “r”
do infinitivo ou de substantivos em “or”: amá/amar; amô/amor.
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Simplificação
da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles ama.
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